A ação naval e diplomática da Grã-Bretanha e o fim do tráfico intercontinental de africanos escravizados para o Império do Brasil (1849-1851)
Palavras-chave:
Ministério, Marinha, Soberania, Tráfico de escravizadosResumo
O gabinete de 29 de setembro de 1848 contou com Paulino José Soares de Souza à frente dos Negócios Estrangeiros. O Império enfrentou forte pressão britânica, inclusive militar da Royal Navy, pelo fim do tráfico intercontinental de africanos escravizados. Desde 1845, com o Bill Aberdeen, a Grã-Bretanha realizava ações militares em território brasileiro, ameaçando sua soberania. Paulino construiu, nas comunicações diplomáticas, a narrativa de que o gabinete assumira o compromisso de extinguir o tráfico. Contudo, os saquaremas foram os grandes defensores do tráfico no período do contrabando (1831-1850). A seleção das comunicações publicadas nos Relatórios Ministeriais buscava construir a narrativa de uma resistência heroica à pressão britânica com o objetivo de preservar o apoio das elites proprietárias. O ministério se via entre a pressão externa inglesa e os interesses internos escravistas com os quais era comprometido.